Em matéria de saúde, não somos exemplo para ninguém.

“Há doentes que quando são chamados para entrar numa unidade de cuidados continuados já morreram”, admite a coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Inês Guerreiro, notando que nos hospitais muitos médicos e enfermeiros não estão sensibilizados para sinalizar os doentes logo que são internados o que atrasa o processo.

O ideal é que o doente que precisa de cuidados continuados seja sinalizado até dois dias após o internamento. Ou seja, se os profissionais de saúde constatam que deu entrada, por exemplo, um doente idoso, com uma fractura do colo do fémur – um dos diagnósticos que mais justifica encaminhamentos – com problemas sociais devem sinalizá-lo às equipas de gestão de altas que existem nos hospitais.

O relatório anual com os dados de 2009, conhecido ontem, revela que em vez de dois dias a sinalização leva em média 20 dias, mais três dias para a referenciação para uma unidade, os 30 dias que pode levar a identificar uma vaga, no caso da região de Lisboa e Vale do Tejo (a que tem menos oferta) e os cinco dias até à entrada do utente na rede. Contas feitas, os doentes podem esperar bastante mais do que um mês.

Inês Guerreiro diz que também há atrasos na resposta da rede mas o relatório aponta sobretudo para “a ausência de sensibilidade a nível hospitalar para a preparação precoce da alta e destino do doente após a mesma”. Assim, muitos doentes acabam por ser mandados para casa enquanto esperam lugar, “alguns acabam por morrer sem cuidados, abandonados”. Dos 20.313 doentes com critérios para ser admitidos na rede 239 morreram antes de entrar.

Outro problema é a referenciação desadequada, refere a responsável. O relatório diz que do total de 2.779 mortes de utentes admitidos na rede – as admissões foram cerca de 17 mil – 36 por cento aconteceram no primeiro mês; mesmo excluindo mortes em cuidados paliativos, a proporção é de 29 por cento. Muitas mortes acontecem nas unidades de convalescença, onde é suposto entrarem doentes estabilizados que ali deverão permanecer cerca de 30 dias. “É estranho”, diz Inês Guerreiro para notar que pode haver “hospitais que querem livrar-se de doentes e referenciam-nos mal.

@ Público
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