Meninos de África

Sinto me só.

Hoje particularmente só.
Não me entendo, não me oiço, não me acalmo.
Escondo sobre mim esta vergonha sentida.
Uma vergonha que não é só minha,
mas que a sinto por ti, por ele, por todos.

Eu quero poder compensá-los pelo que eles não têm,
dar-lhes o que eu tive e tenho.
Saber que a sua mão pequenina é reconfortada pelo meu leito,
que se estende e os abraça carinhosamente,
ansiando por dias melhores.

Sim, dias melhores virão,
mas enquanto são escassos e não têm raiz
o corpo que é alimentado pelo ar e pela fome,
acaba morto na terra que nunca antes foi fresca.


E a solidão que eu hoje sinto,
designa-se por um puro egoísmo
Ingénuo e cruel
causado pela ânsia que me agarra e consome
e da qual eu não me liberto.


Persisto em tentar largá-la,
Mas ela reside em mim
Na mente, no corpo, na alma
Não penso que consiga evitá-lo
Está em mim, em ti, e neles, e vai estar até ao fim.

Perdoa-me então, oh mundo escuro e magoado,
pelo que eu não fui capaz de mudar
pelo que eu não fui capaz de lutar
Perdoa-me a mim, a ele, a todos.

Que são fúteis por te ignorar
Mas que no fundo te sentem,
Fingindo não sentir
Porque na verdade, a dor que tu sentes
Nem eu, nem ele, ninguém pode sentir.
Ana Correia


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