Argentina-Ocupar, Resistir e Produzir

Durante a grave recessão económica entre 1998 a 2002, que assolou a Argentina, e que, provocou o encerramento de centenas de fábricas por todo o país, levou, a que muitos operários, ocupassem e administrassem as empresas em vias de insolvência, em defesa dos seus postos de trabalho. Segundo, uma pesquisa realizada por investigadores da Faculdade de Sociologia da Universidade de Buenos Aires (UBA), nos últimos anos da crise, mais de 100 fábricas falidas ou em vias de falir, não fecharam – ou foram reabertas, graças à administração dos seus operários. Muitos dos antigos patrões entraram na Justiça, mas quase sempre a decisão judicial foi favorável aos trabalhadores. No total, estas fábricas empregam mais de 10 mil trabalhadores, entre as empresas “ocupadas” ou “tomadas”, 80%, emprega, uma média de 38 operários, enquanto 20%, emprega, mais de uma centena, sendo, que 70% das empresas sob administração dos operários já atingiu ou ultrapassou, o nível de produção, conseguido pelos antigos proprietários nos últimos tempos. A Gip Metal, rebaptizada, actualmente com o nome de União e Força foi a primeira fábrica a ser “ocupada” pelos operários. Esta empresa – uma metalúrgica que produzia tubos de cobre há 30 anos na cidade de Avellaneda (na Grande Buenos Aires) e que empregava 90 funcionários – foi ocupada no dia 18 de Agosto de 2000, nesse dia, os operários receberam telegramas a comunicar, o despedimento em massa, a insolvência da fábrica e o consequente, encerramento definitivo das suas portas. Um grupo de funcionários não se conformou, e ocupou a fábrica. A União e Força conseguiu progredir, contra todas as expectativas, e dois anos mais tarde, sob a administração dos seus operários, já tinha pago, os empréstimos contraídos, adquiriu novas máquinas e ampliou as suas instalações, além disso, os operários conseguiram quadruplicar os seus salários. Sob a nova administração, a ex-Gip, conseguiu economizar 70% do lucro, que antes era destinado ao pagamento dos salários dos proprietários e administradores. Além disso, a empresa consegue destinar 15% do lucro para investimentos e capitalização.Em 90% dos casos, as empresas funcionam sob o modelo denominado “controle operário” e cooperativas, eliminaram os cargos hierárquicos, além disso, estabeleceram um regime de distribuição equitativa dos salários.

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